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Na chegada da noite, a chuva branda e morna, suave ruído da água encontrando a terra. Sobre a escrivaninha, os escritos deixados de lado, papéis desarrumados, caneta ao chão. Os sonhos enviesados na cama desfeita, o corpo letárgico desperto do sono. A sombra azulada da luminária se esvai quando a luz é acesa. Mãos tateando o lençol, gestos confusos, os olhos percorrendo a recente claridade que incomoda. Os óculos ainda no rosto transformam a visão agora nítida. Os braços se estendem para abrir a janela ainda molhada, olhar fixo nas nuvens espessas. O som do relógio acalma a pulsação e o cair da chuva desperta a paixão pela beleza. A grama úmida, o cheiro da terra e o frescor da brisa noturna acordam a mente. Os pés descalços se movem sobre o piso frio, descobrindo de repente um antigo desejo de ser livre. Subitamente, a visão se modifica. Um corpo de mulher na escuridão da noite, dançando nua sob a chuva de outono, sorrindo, cantando e celebrando a vida.
Inspirado aqui.

Duas mulheres vestidas de negro, morenas, sorriem diante do poço, de águas frias e claras. Ao lado delas, uma donzela loura, vestida de rosa, guirlanda de flores enfeitando os cabelos e um cesto repleto de frutas maduras. As três caminham em direção ao castelo no cume da montanha, por trilhas verdes, à margem de um lago. Um garoto corre passando por elas, maroto, feliz e sem medos. Pede passagem, porque deseja ir ao mesmo lugar para onde elas se encaminham. Cada uma delas revela uma face diferente e ele oferece em troca as rosas que tem nas mãos. Ele corre e se adianta através da paisagem colorida. Elas têm no olhar a doçura de uma jovem, o amor de mãe e a sabedoria das anciãs. Quando partem, permeiam no ar um perfume de lótus e, se voltando para o lago, transformam-se numa única imagem, de um rosto vagamente conhecido. Esta nova imagem segue o rastro do menino, enquanto o brilho da Lua insurge por trás da montanha. Às portas do castelo, ele a aguarda... Ao entardecer ela se lembra de tudo o que já não faz mais sentido. E percebe, através das sombras, uma faixa de luz clareando a grama verde. O Sol emana agora toda a sua força e ilumina sua pele branca, fazendo o coração sentir o calor, brindando os sentidos com o cheiro da mata. As folhas caem e se espalham sobre seu corpo deitado, que se move calmamente com a respiração branda e lenta. Os olhos se fecham, mas as imagens ainda se formam, dando vazão aos sonhos agora libertos. Uma serpente, um cão e uma coruja observam atentos tudo o que se passa por sua mente. Quando acorda, ela vê a fênix sobrevoando o céu, como se chegado o momento de seguir adiante, sem pressa, mas firmemente.
- Postado por: Ludmilla às 17h51
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Ela agora caminha seguindo o pássaro, com os pensamentos voltados para o horizonte. O que ficou para trás lá será deixado. Ela não voltará seus olhos para as costas. Diante de si, montanhas; ao seu lado, um leopardo. Na mente, a certeza. No coração, as deidades que lhe chamaram de volta para a estrada. E a Lua cheia a saúda, brindando sua chegada.
- Postado por: Ludmilla às 13h32
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