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Há muito que utilizava o papel para despejar alegrias e frustrações, sentimentos e passagens significativas. Cadernos, diários e agendas tornavam-se seus cúmplices silenciosos, apenas atentos ao que acontecia. A caneta deslizando entre linhas ou espaços em branco, colorindo com palavras um simples, mas poderoso objeto: o papel. Para grifar, apenas aspas e letras maiúsculas. Sem métrica, sem preocupação com correção. As mãos se movimentado depressa, em rabiscos, desenhos e letrinhas. Rasuras, lágrimas, pedaços rasgados. Palavras recorrentes, repetidas, mas sempre eloqüentes, carregadas. Emoções e sensações fluindo livremente. Um momento de introspecção e solidão. Apenas ela e o papel, ninguém mais.
De repente, insurge a tela. Nenhuma linha, apenas espaços aguardando para serem preenchidos. Programas criados para quem quer ou precisa escrever. O teclado, as letras, os números e milhares de símbolos. A possibilidade de observar várias vezes o que foi escrito. A facilidade de corrigir sem ficar feio. Sem rasgos, sem rasuras, sem lágrimas. Agora, junto com e emoção, o cuidado. E ela descobre a beleza do texto harmonioso. Negritos, itálicos e sublinhados momentos especiais. A procura por outros substantivos, adjetivos e verbos novos, desconhecidos. Palavras delicadas revelando uma sutil tristeza. Palavras cruas desvelando a coragem de encarar a verdade. Palavras doces ocultando uma paixão ardente. Palavras todas para celebrar a vitória. As mãos trabalham rapidamente. Mas ela agora não quer mais a solidão de uma folha. Ela quer a cumplicidade do amigo e do desconhecido. Conta ao mundo suas loucuras, entre as lacunas preenchidas com o coração. Emoções e sensações fluindo ainda livremente. Ainda um momento de introspecção. Agora ela, o teclado e a tela. E tudo o mais como testemunha.
- Postado por: Ludmilla às 15h31
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